Nações podem surgir espontaneamente, mas também podem ser construídas. Uma nação sem projeto, sem saber o que deseja ser, como quer se afirmar no mundo, poderá ser grande, mas somente por acaso. Sem um projeto ela sofrerá as influências boas e más de outras nações, tornando-se uma nau eternamente a espera de ventos favoráveis para alcançar algum porto seguro. Varias nações da atualidade foram desenvolvidas a partir de um projeto. Projetar uma nação não se trata de um uma fantasia, mas de algo concreto e necessário.

Os projetos variarão no tempo e no espaço, porém, de algum modo conduzirão uma população ligada por laços profundos, para um destino comum. A nação não é sinônimo de raça, conceito, aliás, atualmente em descrédito por falta de qualquer base biológica; nações existem que foram formadas por várias “raças” diferentes”, no entanto, através do tempo e das inúmeras lutas compartilhadas, se amalgamaram até o ponto de se identificarem. A nação, dessa forma, implica a comunidade de labutas e lutas do passado, os esforços do presente, e um destino

A nação, como resultado de variados fatores, e como demonstra a história, caracteriza-se por certa plasticidade, enquanto mantém um elemento comum através do tempo. Ela pode ser moldada, adaptada, esculpida, visando sair da massa informe e tornar-se algo com forma definida.

Uma nação pode viver sem um território, como foi, por exemplo, o caso dos judeus, que passaram dois mil anos espalhados pelo mundo mantendo, contudo, uma unidade cultural admirável.

Se a nação dispõe de uma solo onde repousa sua base de sobrevivência e finca suas esperanças para o futuro, precisa organizar-se para o bom aproveitamento dos seus potenciais, caso contrário, poderá perdê-lo, no embate com outras nações mais preparadas e mais previdentes.

O Brasil, por meio da mistura de três “raças” conseguiu formar um tipo humano com inúmeras qualidades de excelência inigualáveis, ao par de vícios aparentemente invencíveis. Se nossas virtudes superam os vícios, temos ainda assim de cuidar para que estes não venham a superá-las, em algum momento, pois correríamos o risco de jogar fora os séculos de árduos esforços que os construtores dedicaram à construção de uma nação que carrega em seu seio a promessa de um mundo renovado.

Indubitavelmente, é admirável a unidade territorial que nossos antepassados conseguiram, apesar dos escassos recursos de que dispunham. Essa unidade, juntamente com nosso modo peculiar atual de pensar, sentir e agir são legados preciosos que precisamos manter e aperfeiçoar para transmiti-los aos nossos pósteros. Isso não se faz sem um projeto!

Pensadores brasileiros do passado, remoto ou próximo, com seus corações abrasados de amor pela Pátria do Cruzeiro, movimentaram suas penas para registrar em letras indeléveis, seus pensamentos sobre os rumos que a nação deveria seguir. Vários fizeram isso, cada um contribuindo na medida das suas luzes. Mas se procuramos algum documento com o título “Projeto de Nação”, é pouquíssimo provável que o encontremos. Na verdade, tal título, caso fosse encontrado em alguma prateleira empoeirada de biblioteca, constituir-se-ia em anacronismo certo. A ausência de tal título não desqualifica um documento, desde que o seu conteúdo tivesse como objeto a nação e como característica a projeção de um estado futuro almejado.

José Bonifácio de Andrada e Silva

Neste sentido, merecem destaque José Bonifácio de Andrada e Silva que já pensava a construção da nação no inicio do século XIX, e Alberto de Seixas Martins Torres , que fez o mesmo no inicio do século XX. Entre outros, eles brilham na pleiade de pensadores brasileiros preocupados em elevar a nação a altura dos seus potenciais. Desse modo, aqueles que no momento presente buscam repensar o Brasil e traçar novas linhas de progresso são devedores destes próceres. São eles os verdadeiros precursores e inovadores, ninguém podendo assumir a paternidade de ideias que já circulavam há mais de um século. Outrossim, além de demonstrarem ingratidão e desonestidade intelectual manifestariam atitude procaz.

Alberto de Seixas Martins Torres

Pode ser que o referido projeto possa ser pressentido pelo povo simples, embora este não consiga articular pensamentos para traçar as linhas mestras do caminho da prosperidade material e espiritual futuras. As aspirações nacionais, se não estiverem plantadas no coração de cada brasileiro, pelo menos como uma semente à espera da condições propícias para a germinação, terão poucas forças para vencer as dificuldades sempre presentes em tal empreitada. Assim, cabe aos cidadãos capazes de ler e interpretar tais aspirações, diagnosticar os problemas e aponta as prováveis soluções, os fatores favoráveis e desfavoráveis, bem como portadores de capacidades de comunicar de maneira simples para os homens simples, e rebuscada para aqueles que exigem explicações técnicas de nível mais elevado, o dever de trabalhar em conjunto para elaborar um projeto tão importante quanto necessário.

Foi pensando nisso que o Instituto Federalista há mais de uma década começou a pensar em como elaborar um projeto de nação para o Brasil. Na verdade, esse desejo já nasceu com a fundação do Movimento Federalista, em 1991, por Thomas Korontai. Naquele momento, em que o brasileiros lutavam com gigantescas dificuldades herdades das décadas anteriores, momento em que a Constituição Federal promulgada em 1989, e erroneamente apelidada de “cidadã”, e que presidentes e ministros da economia literalmente brincavam com as finanças nacionais, espancando a dignidade das famílias e irresponsavelmente levando milhares ao desespero devido ao sequestro ilegal de suas reservas econômicas, é que o fundador do movimento reforçou sua disposição de trabalhar pela alteração daquela situação absurda. obviamente, a não ser em condições excepcionais, uma pessoa sozinha pouco consegue fazer, mas ele acreditou no poder das ideias e seguiu em frente, fazendo o que estava ao seu alcance.

Na fundação do Instituto Federalista, em 2005, essa ideia já estava mais consolidada, mas ainda faltavam os meios materiais e intelectuais para tarefas desta envergadura. Somente no ano de 2019 é que o “Projeto de Nação” começou a adquirir forma quando o Instituto Federalista encontrou entidades de alto nível para realizar parcerias. Na metade de 2019 o Federalista firmou parceria especifica para a elaboração do projeto com o Instituto Sagres, cuja sede é Brasilia/DF, o qual, há algum tempo também planejava realizar atividades que conduzissem à elaboração de um projeto de nação.

Seria pretensão acreditar que somente o Instituta Federalista havia sentido a necessidade deste projeto; seria acreditar que somente os seus componentes teriam a capacidade para desenvolver esta atividade. Certamente outros deviam pensar e sentir o mesmo, mas na imensidão do Brasil, como encontrar pessoas que carregassem as mesmas aspirações e preocupações, mas com o capacidade intelectual para se lançar ao desafio? Quando a hora chega, quando chega a estação certa os frutos amadurecem. Eis que, através do Instituto Sagres, tivemos conhecimento que o General Villas Boas, da Reserva do Exército, e ex-comandante do Exército, sentia a necessidade e trabalhava no sentido de criar um instituto que entre suas finalidades estava a elaboração do referido projeto: o IGVB – Instituto General Villas Boas. Assim, as três entidades uniram-se com o objetivo de elaborar um projeto de nação para o Brasil.

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