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Inteligência Social

Artigo de Regina Caldas, em 26/03/2007.

Comentário: Regina Caldas, em seu precioso artigo, destaca a chamada \"Inteligência Social\",a única capaz de harmonizar interesses em busca da felicidade pessoal e geral.

Do ponto de vista federalista, observamos, por oportuno, o resultado da ausência de um correto mapeamento cerebral diretor , em nossas áreas metropolitanas, com milhares de favelas, fora de qualquer planejamento urbano compatível com os enormes recursos disponibilizados e despendidos em obras estatais faraônicas, absolutamente contrastantes, que apenas distanciaram o Estado do Indivíduo comum, o verdadeiro sujeito republicano. O problema urbano brasileiro fotografa em cores vivas, o afastamento do Município e do Estado Federado de suas questões mais íntimas.Uma realidade que tomou de assalto as cidades médias e, até mesmo, as pequenas de nosso interior. Sem ethos, voltaram-se às esperanças de um centralismo político federal, que agora já absorve mais de 70% da tributação nacional, deixaram-se comandar por governos federais centralizadores e incapazes de equacionar problemas locais nesse vastíssimo Brasil de aspectos diversificados. A \"Inteligência Social\", assim, foi mapeada pela vulgarização de idéias e comportamentos gerais, eivados de cunho discriminatório e movidos pela guerra de classes. O resultado, não poderia ser pior: a exacerbação das negatividades, a completa desmoralização do direito de propriedade, a liquidação do direito à legítima defesa, a corrupção consentida como formula de predominância social e política, a violência crescente e os notáveis danos, diariamente, ocasionados pela politicagem alinhada e pelo crime arregimentado.



Outro dia lí um artigo no Times sobre o lançamento de mais um daqueles livros, que ficam criando teses para encontrar as causas dos preconceitos. Neste caso, tratava-se de um estudo sobre a escravidão negra. Uma tentativa pobre de dar \"sentimento de orgulho\" aos negros, pelo tanto que colaboraram na formação da riqueza dos brancos. E, em paralelo, procurando as causas dos sentimentos de inferioridade, que os descendentes negros de escravos carregam consigo. Segundo o autor, tais sentimentos marcam o caráter dos negros, levando-os ao servilismo e a manifestação daquelas características que podem sentir coladas em sua pele: mau caráter, preguiça,desorganização, menor inteligência, não merecedores de confiança, indisciplinados... Sentimentos, que os brancos lhes impingiram através dos tempos.

Li, também, \"O caçador de pipas\", romance vivido no Afeganistão, Paquistão e EUA. O personagem central vinha de uma família servida pelos Hazaras, um povo que foi levado para o Afeganistão como escravo. E, aqui, a velha história de preconceitos acumulados se repete: os mesmos traços de servilismo, tornando-se perceptíveis. Conheci famílias descendentes de escravos, altamente dignas e respeitáveis e, portanto, posso falar sobre a matéria, sob o ângulo positivo, quando se aprende a conviver, interagindo com civilidade.

O certo é que, em havendo respeito humano, elimina-se aquele sentimento negativo que nutrimos por quem, por alguma razão, seja rotulado como "inferior". Cresci muito perceptiva ao modo de vida destas pessoas. E, de minhas observações, concluo que os seres humanos respondem positiva ou negativamente conforme o tratamento que recebem de seus semelhantes. Podem se tornar, realmente, independentes, criar famílias prósperas e bem identificadas com as comunidades onde vivem. E, agora, minhas conclusões ganham um reforço poderoso. Eu o encontro no livro \"Inteligência Social\".

Nosso cérebro é programado para transmitir e captar sentimentos.Estamos todos envolvidos numa permanente comunicação cerebral, que se reflete em milésimos de segundos, por gestos e expressões. É desta forma que, perdurando dentro de um processo cultural, conceito qualquer sobre o nosso semelhante, isto se refletirá, instantaneamente, nas nossas comunicações, mesmos nas silenciosas, em relação aos que se tornaram alvos privilegiados de nossas críticas ou elogios. E, a resposta do outro, tenderá a confirmar e a reforçar aquele conceito, em função da conexão que ficou criada entre nossos cérebros.

Estas conclusões,nos levam a intuir que, a cada vez que manifestamos sentimentos negativos sobre grupos ou indivíduos isolados, estas características tenderão à perpetuação. As matrizes étnicas, religiosas e psicopolíticas, são forjadas pelos próprios homens. Não faziam parte da genética humana. Da nossa genética existia uma programação para sermos éticos e racionais. A natureza humana foi se transformando, na medida em que fomos nos organizando socialmente. Daí surgiram os grupos, que foram de acordo com suas expectativas, criando regras para as relações humanas que, dado a determinados fatores como necessidade de relevância social em busca do poder,acabaram por dividir as sociedades em classes. O resto, todo mundo já sabe. Os homens tornaram-se competitivos e o seu acirramento criou estas matrizes negativas, que nos diferenciam uns dos outros.

A Educação terá que reverter o que somos atualmente. Já na Inteligência Emocional, Daniel Goleman chamou a atenção dos professores para que treinassem suas crianças no controle das emoções, desenvolvendo seu lado racional. E, em sua atual obra, ele afirma que, de posse do conhecimento de como funciona nossa inteligência social, precisamos ser reeducados na forma como sentimos e transmitimos nossos sentimentos, para que as relações humanas sejam harmoniosas e se libertem de preconceitos herdados socialmente.

O ethos do Povo Brasileiro precisa ser modificado, através da Educação, politicamente isenta de ideologias e voltada à civilidade. Ensinar a pensar, será a verdadeira obra de uma nova e valiosa onda de democracia. O sentimento de inferioridade diante do mundo desenvolvido, requer a liberdade para mudar, para inovar relacionamentos políticos e sociais. O livre mercado, o devido respeito às autonomias políticas dos entes federados, a adoção dos princípios da subsidiariedade, o fim dos privilégios odiosos dos detentores dos poderes públicos, a discriminação terrorista das tributações sobre o capital e o trabalho, precisam ser levados em séria consideração por uma verdadeira revolução cultural.

Um grande primeiro passo, deveria ser dado por pessoas que têm grande capacidade de comunicação social. Cabe-lhes uma grande missão neste sentido: colocar a Inteligência Social acima de quaisquer discriminações.




Publicado originalmente em No definida
Sobre o autor:
Formada em Administração, ex-diretora e conselheira da União Cívica Feminina; Fed Internacional de Mulheres de Neg. e Prof. Liberais; Fed. Internacional de Amigos de Museus e Voto Consciente

Fonte deste artigo: No definida