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A inflação é a pior desgraça para os salários?

Análise escrita por Alfredo Marcolin Peringer, em 14/08/2008.

A mensagem do presidente Lula de que "a inflação é a pior desgraça para o povo que vive de salário" parece ser sincera. Afinal, foi por iniciativa do presidente que o Banco Central do Brasil (Bacen) é hoje uma instituição autônoma, ao menos operacionalmente. Sem falar que a sua diretoria encontra-se blindada contra os ataques dos "desenvolvimentistas", segmento, dentro do seu próprio governo e partido, que pressiona por mais liquidez monetária, imaginando, erroneamente, que vá "impulsionar o crescimento econômico". Talvez o presidente já tenha ouvido falar em Friedrich von Hayek, um dos precursores da escola econômica austríaca. Hayek já mostrou, categoricamente, que o excesso de liquidez leva às crises econômicas. No seu último livro, Fatal Conceit, ironizando a facção desenvolvimentista afirma que "a moeda é... entre todas as coisas, a menos entendida e - talvez com o sexo - o objeto das maiores e das mais irracionais fantasias; e, como o sexo, ela simultaneamente fascina, intriga e repele". Sabemos que Lula presenciou no final da década de 80 o desajuste econômico causado pelo desentendimento monetário em nosso país. Viu o povo rebelar-se contra os supermercados e produtores de gado, instigados por um governo que imaginava que eram eles que causavam a alta dos preços, ignorando que a causa estava dentro do Bacen.

Temos que reconhecer que o entendimento monetário evoluiu bastante nesse meio tempo em nosso país. Mas não a ponto de se vir a isolar o Bacen e o governo das críticas economicamente racionais. Entre elas, a de que vem mantendo: a) um crescimento monetário ao redor de 20% ao ano, nível que pressiona a inflação para dois dígitos; b) altas taxas de juros, com conseqüências adversas para a sociedade; c) um endividamento que alcança 47% do PIB, "contra 20% dos países com o mesmo nível de risco", adverte a diretora da Standard & Poors, Lisa Schineller (a mesma que nos concedeu recentemente o "grau de investimento"). Não se pode defender o Bacen, acima de tudo, pela falta de criatividade na condução da política monetária. Resume-se em inchar os saldos de moeda pelo ingresso de divisas estrangeiras e desinchá-los pela venda de títulos públicos, deixando, nesse processo, um rastro de desequilíbrios (só no primeiro trimestre de 2008, os gastos com os juros da dívida pública alcançaram R$ 37,6 bilhões e devem chegar a R$ 150 bilhões no ano).

Mas o presidente precisa reconhecer que a carga tributária também é uma desgraça para os salários do povo. E a política monetária sem brilho do Bacen não fica atrás. Pressiona a carga tributária para cima, aumenta os custos financeiros empresariais e desvia o crédito do setor privado para o público, fatores que levam à queda da produção, da renda e dos empregos, fatal para os pobres.