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Conversando com a mocidade

Análise escrita por José Celso de Macedo Soares, em 05/02/2010.

Inicio de ano se presta a considerações filosóficas. É o que tentarei neste texto.

Há algum tempo fui convidado por alunos de escola de engenharia para proferir palestra sobre a profissão de engenheiro e, naturalmente, aconselhá-los sobre a carreira e seu papel na sociedade. Aceitei de bom grado, porque me é sempre grato o convívio com a juventude. Já longe dela, nunca tive antagonismo com aqueles que ainda se encontram na primavera da vida.

Muitos têm sido meus contatos com os moços. Neles, tenho-os sempre concitado interessarem-se pelos problemas do país; informarem-se sobre os fatos e discussões em curso, para que não se deixem levar pelos falsos líderes que pululam dentro e fora das casas de ensino. Aqui vão alguns conselhos que dei aos jovens na palestra proferida.

Em primeiro lugar, jamais subordinem a ciência à qualquer ideologia. Os verdadeiros cientistas, os que labutam incessantemente para dar à humanidade melhores dias, através das pesquisas, dos ensinamentos adquiridos e transmitidos, estão acima de quaisquer ideologias ou credos. Não importa que sejam de esquerda, de centro ou de direita. Importa, sim, o valor de sua contribuição aos seus semelhantes, a toda coletividade e daí o respeito que merecem. No momento em que a técnica se deixa subordinar ao sectarismo ideológico ou político, desaparece a seiva que alimenta o ideal de todas as profissões; a liberdade de conceber o melhor; de defender as melhores idéias, de pugnar pelas causas mais justas. Este pois, repito, o primeiro conselho aos jovens: jamais subordinem a ciência à ideologia. Não deixem que o vírus da intolerância penetre nos seus pensamentos e busquem em todos quadrantes aqueles que poderão ajudar resolver seus problemas, pois o que sabemos é infinitamente pequeno comparado com o que não sabemos e, a palavra de todos que nos podem transmitir algo deve sempre ser ouvida. Porque a ciência é o que o oceano é para o navegador de alto-mar: uma planície que parece não ter fim.

O segundo conselho, é que se interessem pelas coisas da governança do país. É preciso que aprendam, nas suas casas de ensino, as leis primárias da vida pública. É necessário que adquiram desde logo a plena consciência de cidadão, a noção de seus direitos de contribuinte, para que, o mais cedo possível , venham a possuir aquela virtude política de que nos fala Montesquieu. O cidadão de um país livre garante-se perante o Poder Público, estudando as leis da governação política de seu país. E nunca se esqueçam de que, se o Poder vigia o cidadão, o cidadão inspeciona o Poder. É importante o estudo dos fundamentos do Estado democrático, para que desde cedo, saibam defender seus ideais, afastando da representação escolar as idéias alienígenas e contrárias à nossa formação histórica. Enfim o segundo conselho se resume em interessar-se pela Pátria, porque sem este interesse, todos os outros se perderão carentes de grandeza.

E por último, recomendo aos moços o culto do trabalho. Sem labor profícuo e constante, nada poderemos construir. O Brasil precisa hoje, mais do que nunca, do trabalho de todos, principalmente da mocidade, cuja pujança aliada à sabedoria dos mais velhos, há de construir as grandes obras que, enaltecerão o País.

Aí estão os três pilares de uma carreira: técnica sem ideologia, para que os ideais de bem servir se mantenham imaculados; presença na vida política do país, para devolver à coletividade aquilo que na sua casa de ensino aprenderam; trabalho honesto e perseverante exercido com fé crescente no seu oficio.